Agroindústrias Familiares: protagonistas de um novo momento

Há quinze anos, a iniciativa de instalar uma feira da agricultura familiar no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, mudou a história da Expointer. Sob uma lona preta, cerca de 30 agroindústrias familiares participaram da primeira edição da feira, no local onde hoje é o pavilhão da agricultura familiar.

A proposta era aumentar a visibilidade da agricultura familiar gaúcha e divulgar a produção agroindustrial familiar. O tempo passou, e o pavilhão da agricultura familiar se tornou o espaço mais frequentado da Expointer. Em 2012 mais de meio milhão de pessoas estiveram no Parque, e aproximadamente 350 mil visitaram ou compraram produtos coloniais das agroindústrias familiares, produzidos nas diferentes regiões gaúchas.

Conforme dados do IBGE, existem no RS quase oito mil agroindústrias familiares. Do total 900 são formais, e juntas movimentam cerca de R$ 10 milhões por ano, sendo R$ 4 milhões em feiras de venda direta ao consumidor. Percebemos que além do crescimento em espaço físico e econômico, há sustentabilidade no meio rural com a implantação de agroindústrias familiares. Novas legislações valorizam a produção de alimentos saudáveis e a comercialização em todo o território gaúcho como alternativas econômicas e inclusivas para as famílias do campo. Todo o trabalho e políticas voltadas ao segmento proporcionou um status diferente às agroindústrias gaúchas. Elas são protagonistas de um novo momento no Rio Grande do Sul, comprovado pela importância de atuação, produção e reconhecidos incentivos para acabar com a pobreza no campo, desemprego e êxodo rural.

Assim, constata-se mais uma vez que as agroindústrias familiares têm capacidade de trazer renda e dignidade para espaços diversificados, com fomento das economias locais e com novas oportunidades para garantir a sucessão familiar. O estado tem quase 400 mil famílias de pequenos agricultores, o que representa 86% dos estabelecimentos rurais gaúchos. Neste sentido, entidades e movimentos sociais defendem políticas diferenciadas, pois além da produção de alimentos saudáveis, com sabor da colônia, o setor detém tradições culturais, como a preservação do meio ambiente.

Ainda temos desafios enormes, mas a certeza que o futuro do campo poderá ser melhor a cada ano passa pela organização dos trabalhadores rurais e gestores públicos comprometidos com este segmento, que é uma das bases de sustentação econômica do estado.

Edegar Pretto

Deputado Estadual

Líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa RS

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